Recuperação do mercado imobiliário: 2018 registra melhora significativa no mercado imobiliário para compra e venda de imóveis

Pesquisa do Sindicato da Habitação, Secovi – SP, confirmando previsões de especialistas do setor, mostrou um aumento de 52% no número das unidades comercializadas de janeiro a junho de 2018, na cidade de São Paulo, em comparação ao mesmo período do ano passado. Nesses seis meses, foram negociadas 12 mil residências, contra 7.888 no primeiro semestre de 2017. Os números de 2018 são também os melhores desde 2013, início da crise econômica que atingiu o País.

Segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), foram lançadas 8.068 unidades residenciais no primeiro semestre deste ano na cidade de São Paulo, correspondendo a um crescimento de 4% em relação ao primeiro semestre de 2017, quando os lançamentos totalizaram 7.769 unidades residenciais.

O último trimestre do ano começou e com ele a expectativa de como ficará o mercado imobiliário. As vendas cresceram pela primeira vez desde 2013, contudo, o país também está passando pelas eleições presidenciais que podem afetar o clima e confiança.

Entrevista com Gustavo Almonacid, presidente da Morocó Desenvolvimento Imobiliário:

1- Qual o perfil predominante do comprador de imóveis atual?

O comprador de hoje é muito mais ponderado, tem um perfil muito mais racional e menos emocional. Ele é um pesquisador, utiliza não só as diversas ferramentas que se encontram hoje na internet, mas também fala com corretores e “roda” pela cidade. Agilidade na tomada de decisão está longe de ser uma prioridade, tendo em vista o arrefecimento do mercado imobiliário nos últimos anos

2- O que esse comprador tem buscado?

O comprador tem buscado fazer O MELHOR negócio. Como o comprador sabe que a oferta é grande e a demanda ainda é baixa, não há mais o senso de urgência e isso permite a ele se dar ao luxo de fazer ofertas, algumas vezes indecentes, e esperar para ver se alguma será aceita

3- Ao seu ver, quais fatores podem ter influenciado no reaquecimento do mercado?

O mercado imobiliário é influenciado predominantemente por três fatores: i) a taxa básica de juros, ii) aquecimento ou não da economia, e iii) índice de confiança do consumidor. A taxa básica de juros está no mais baixo patamar histórico, hoje em 6,5%. Diversos setores da economia já estão há vários meses sentindo o aquecimento, como por exemplo o agronegócio, o varejo e o setor farmacêutico. Como estamos há vários anos passando por uma forte recessão, a demanda por imóveis, que já era reprimida, não foi sendo atendida. Por esse motivo, apesar de a estabilidade político-econômica ainda estar longe do ideal, a retomada da economia, ainda que não plena, está fazendo com que o consumidor volte aos poucos a sentir confiança para finalmente comprar sua casa própria. Adicionalmente, o mercado imobiliário sofre forte influência da microrregião na qual está inserido. Regiões fortemente influenciadas pelo setor de óleo e gás, por exemplo, sentiram uma expressiva melhora após a alta do preço do petróleo no mercado internacional e a melhora dos resultados da Petrobrás. E por último, o déficit habitacional continua gigantesco, em especial imóveis de padrão econômico que se enquadram no programa Minha Casa Minha Vida, onde ainda existem muitas oportunidades.

4- Alguns especialistas em investimento apontam que comprar um imóvel não é o melhor investimento para o dinheiro. Você concorda ou discorda dessa afirmação e porquê?

Se você é um especulador de curto prazo, que gosta de comprar e vender ativos num curto espaço de tempo, certamente investir em imóveis desta maneira não é o melhor investimento. Mas se você se preocupa em fazer investimentos de longo prazo, com objetivo de aumento patrimonial e de reserva de valor, ter um percentual considerável de imóveis no seu portfólio de investimentos é sem dúvida um bom investimento. Quando a taxa básica de juros cai, o preço dos imóveis sobe. E o motivo é óbvio: quanto mais baixos os juros, menor a parcela do financiamento de um imóvel, permitindo desta forma que mais pessoas tenham capacidade de comprar imóveis, e consequentemente, aumentando a demanda por imóveis. Além da renda proveniente do aluguel, os imóveis trazem um ganho adicional com a sua valorização, que muitas vezes acaba sendo a maior fonte de renda (maior que o próprio aluguel). Há diversos estudos que demostram que os imóveis, no longo prazo, tendem a valorizar, no mínimo conforme a inflação, sendo por esse motivo, uma excelente maneira de se proteger contra a inflação.

5- O cenário político pode afetar o volume de vendas de imóveis para 2019? Qual sua análise?

Sem dúvidas um cenário de incerteza política afeta demais o grau de confiança do consumidor e faz com que, na dúvida, ele não realize a compra do imóvel. Passado o primeiro turno das eleições, o cenário político começa a se desenhar apontando para o candidato que será eleito. A provável eleição de um candidato que representa uma ruptura ao sistema atual é vista pelo mercado com bons olhos e tende a afetar positivamente o volume de vendas. Mas o que acontecerá em 2019 dependerá muito da política econômica que será implementada e de como o futuro presidente e sua equipe irão se posicionar com relação às reformas tão fundamentais para o futuro do Brasil.

6-Quais são suas considerações sobre as expectativas a respeito da compra e venda de imóveis novos e usados para o último trimestre de 2018?

O cenário dos últimos 12 meses foi realmente surpreendente, com velocidade de vendas equivalentes à 2012 e 2013, quando estávamos no auge da euforia do mercado imobiliário. Sabemos, entretanto, que um cenário de transição presidencial (em especial da forma que estamos vivendo hoje) traz muita incerteza e isso retarda o processo de tomada de decisão do comprador. Entretanto, como temos empreendimentos diferenciados e muito muito bem localizados, acreditamos que conseguiremos manter uma boa velocidade de vendas.

7- Poderia listar algumas dicas para quem quer comprar seu primeiro imóvel?

Um item fundamental a ser observado na compra de um imóvel é a localização. O imóvel deve estar localizado em uma rua agradável, numa boa região e de preferência com comércio e serviços nas proximidades (supermercado, shopping, escola, bancos, etc), pois isto fará com que o valor agregado aumente e o imóvel tenha uma melhor liquidez. Outros fatores a serem observados: (i) a planta da área privativa – uma planta com boa distribuição e aproveitamento de áreas é sinônimo de um produto de qualidade; (ii) a qualidade da área comum – imóveis com uma boa área de lazer ou condomínios-clube tem um forte apelo e costumam atrair muitos moradores; (iii) o valor razoável da taxa condominial (se houver) e do IPTU – imóveis com custo fixo alto podem encontrar dificuldades de revenda; (iv) a exposição ao sol (sol da manhã ou sol da tarde) em especial em regiões de temperaturas mais altas como o estado do Rio de Janeiro onde o sol da tarde pode significar uma conta de luz mais alta devido ao uso mais intenso do ar condicionado; e principalmente a vista – imóveis com vistas mais amplas, ou para o mar ou uma lagoa têm um diferencial no valor e certamente na liquidez.

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