Marina nada morena, de Vanessa Balula, trata de forma lúdica e poética situações delicadas na infância, como a separação dos pais e a relação com o mundo

Obra, que também ganhou versão da autora para os palcos, com Mel Maia no papel da protagonista, terá seu lançamento no Rio de Janeiro no próximo dia 30 de setembro, na Livraria Argumento, no Leblon. A peça fica em cartaz no Teatro das Artes, na Gávea, até o fim de outubro.

Marina, que de morena não tem nada – e ‘está longe de ser aquela Marina morena que se pintou’ da canção de Dorival Caymmi – “ela é ruiva. Tem as bochechas sardentas, mas o cabelo é assim meio cor de xarope”, conta autora logo na primeira página. Bastante curiosa e criativa, Marina, coleciona palavras, tem nomes prediletos, amigos imaginários e gosta de pensar histórias de nuvem para passar o tempo. É só meio filha única, só meio caçula… porque o pai da Marina antes de casar com a mãe da Marina, já tinha um filho, o Rafa.

Aos oito anos, seus pais se separaram, ela mudou de casa e não parecia se sair tão bem na escola; até que ganhou um melhor amigo para chamar de seu, o Lucas – assim seu mundo imaginário ganhou um céu de estrelas e muitas novas histórias para contar.

Mesmo com esse turbilhão de pensamentos comuns da idade, a escritora Vanessa Balula enfatiza que essa Marina é ‘bem diferente’. As peripécias dos personagens e o universo lúdico criado pela protagonista poderão ser conferidos no livro Marina nada morena, da Bolacha Maria Editora, primeira obra literária da autora, e que ganha seu lançamento no próximo dia 30 de setembro, às 11 horas, na Livraria Argumento, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro.

A história, antes de ser lançada nas livrarias, pode também ser assistida em sua versão para o teatro. A adaptação para os palcos, feita também por Balula, está em cartaz no Teatro das Artes, na Gávea, até 28 de outubro, e tem direção de Ernesto Piccolo, com Mel Maia no papel da protagonista, e Cauê Campos como seu melhor amigo, o pequeno Lucas. E ganhará os palcos em outras capitais ainda esse ano.

Para a autora, a história tem muitos pontos que poderão também envolver facilmente os adultos.

“O universo da Marina tem muitos ecos da dinâmica familiar e do olhar de sua família e seus laços sobre o mundo e esse é o grande lance do texto: o encontro da emoção dos pais com seus filhos. É um reencontro da lembrança com a surpresa boa de se identificar com os personagens e sua história”, explica Vanessa, que apresenta no livro, a relação da Marina e seus vínculos com o mundo e situações que a cercam.

Ao longo da narrativa, Marina – que usa uma tiara de estrelas e adora tagarelar suas histórias, principalmente com seu novo melhor amigo Lucas, que veio do exterior para estudar em sua escola – passa por diversas situações e busca caminhos muito próprios para lidar com o que lhe parece difícil, como a separação dos pais, o afastamento do irmão, a mudança de casa, as notícias do mundo no jornal…

“Nada disso é fácil, mas ao longo da história ela vai criando e nos apresentando recursos emocionais para lidar e conviver de uma forma bacana com tudo isso. E mesmo quando tudo mais não é tão alegre quanto ela gostaria, ela arruma uma forma de passar a ser”, adianta a autora sobre a obra.

O Livro
A autora também assina o projeto gráfico ao lado do designer Reginaldo Barbosa. A busca da verdade e da vida no traço, determinou um desafio: o caminho a seguir pela ilustradora Taline Schubach – todas as ilustrações foram finalizadas tal e qual o primeiro esboço de cada desenho, feitas a lápis. Todos pontos de cor das ilustrações têm uma justificativa, recheados de simbologias. “Não tenho a pretensão de imaginar que cada referência ou intenção sejam compreendidas ou identificadas por todas as faixas etárias. Mas é gostoso pensar uma história e um livro que guarde surpresas e novas descobertas a cada leitura e a cada fase do leitor”, declara a autora.

Referências subliminares como o tênis azul da personagem protagonista, que remete à canção de Nando Reis, “Estranho é gostar tanto do seu all star azul”, cantarola. As entradas no texto de outras referências à MPB, à cultura popular, ao cinema, ao mundo tido como adulto como no verbete que traz versos do poeta português Almeida Garret… até o formato do livro que resgata e faz uma homenagem afetiva à edição de 1987 do livro “A Bolsa Amarela” de Lygia Bojunga, autora para quem é também dedicado o livro em companhia com outros artistas e autores da literatura infanto-juvenil – “para vocês que me comovem, me acolhem mesmo de longe e me fazem acreditar que o caminho é gerúndio e um céu de estrelas!”, dedica a autora.

Outra surpresa – marca registrada dos títulos da editora Bolacha Maria – é a presença dos comentários e opiniões de crianças de 4 à 11 anos sobre a história e os seus personagens na orelha do livro (espaço tradicionalmente dedicado à opiniões elogiosas de autores e especialistas consagrados). São essas crianças que “assinam” a orelha, conforme o texto: “Todo livro que se preza tem orelha (essa parte aqui) com gente importante para contar – esse livro é bacana pra chuchu! – e assinar embaixo. Aqui a opinião dos nossos especialistas. Gente que entende de infância e de histórias de nuvens que mudam de cor!”

Livro com gostinho de infância e música para cantar
A história e todo o livro Marina nada morena sugere ser contado e feito por crianças – folhas de caderno, imagens de carimbo, brincadeiras visuais, papeis manuscritos – até mesmo o narrador ganha ares de “amigo da mesma idade”. Como um diário da própria protagonista. Imprimindo ao seu leitor uma sensação de ‘gostinho de infância’.

O leitor tem ainda uma alegre surpresa no final do livro: a letra da música tema – composta por Júlia Vargas-Viegas – e a inclusão de um QR Code – que pode ser acessado por qualquer app de leitor de QR Code – e o encaminha para ouvir a música cantada pela compositora e pela própria autora.

“A proposta é mesmo um resgate aos livros da minha infância onde os personagens eram tão ricos em nuances que suas histórias cresciam, ganhavam um universo. O que pode ser mais bonito do que uma música para conquistar e embalar o imaginário infantil de uma história?”, completa Vanessa Balula, que foi surpreendida pela canção como um presente da compositora. “E a Marina tem toda uma trilha. Já pensou? Ganhou música-tema no livro e uma trilha do Gui Stutz (que assina a direção musical) no teatro. É emocionante ver e ouvir as crianças cantando a história da Marina!”, declara a autora.

Encanto por dicionários e histórias inventadas. Amigos imaginários e desafios do crescimento na infância
Além de toda a magia do universo inventivo da Marina, o livro passeia pelas agruras da infância: não é fácil crescer. “Não à toa a Raquel da Bolsa Amarela de Lygia Bojunga escondia a vontade de não crescer, Marcia Kupstas escreveu Crescer é perigoso e Alice do Carroll não gostou nada de ficar brincando de estica e encolhe no País das Maravilhas. A Marina começa a viver, aos 8 anos, exatamente essa dualidade: é pequena para umas coisas e já grande para outras; as responsabilidades aumentaram dentro e fora da escola. Como equilibrar isso com todo aquele mundo de histórias e amigos imaginários que povoam a sua infância?”, comenta Vanessa Balula.

“A Marina passa por uma certa inadequação na escola. Ela gosta de estar lá, mas, no fundo, não tem muitos amigos e não se dá muito bem nas aulas. O Lucas – o novo aluno da turma – passa a ser sua tecla SAP com o mundo. É ele que traduz e filtra o mundo real para a Marina. Ele é o melhor companheiro e ouvinte das invencionices e pensamentos coloridos da Marina. Ela é muito curiosa e questionadora. Dona de um olhar muito particular sobre o mundo que a cerca e o que não gosta, não entende ou não sabe, reinventa. Cria outro para colocar no lugar. E é esse livre pensar sobre tudo e essa liberdade de expressão que cativa os adultos e proporciona uma identificação com as crianças”, explica Balula.

Vanessa Balula e sua estreia como autora de livros infantis
Editora, jornalista, mestre em literatura brasileira e estudiosa da infância há mais de duas décadas. Roteirista, formada pela NY Film Academy, Balula, direcionou sua formação posterior ao trabalho com a Literatura Infantil e Juvenil. Há 10 anos se dedica exclusivamente à literatura. Boa parte deles atuou como agente literária, na Agência da Palavra, a primeira agência literária do sul do país, onde agenciou autores de destaque como Altair Martins, Prêmio São Paulo de Literatura. Há apenas 3 anos, o sonho antigo de produzir conteúdo e histórias para crianças tomou forma com a Bolacha Maria Editora, da qual é sócia. O segundo título de sua Editora, conquistou o Prêmio Açorianos de Literatura na categoria Melhor Livro do Ano em 2015.

Marina nada morena

LANÇAMENTO – dia 30 de setembro, domingo às 11 horas

Livraria Argumento – rua Dias Ferreira, 147 – Leblon.

No lançamento a história será contada e cantada pelo artista Joel CostaMar.

Marina nada morena (Bolacha Maria Editora, 116 pp, R$ 48,00), da escritora Vanessa Balula com ilustrações de Taline Schubach e grafismos de Reginaldo Barbosa

Capa e projeto gráfico: Reginaldo Barbosa e Vanessa Balula.

Música-tema do livro

Letra, música, harmonia e voz: Júlia Vargas-Viegas. Voz: Vanessa Balula. Violão, baixo e voz: Bruno Mad. Gravação: Kiko Ferraz Studios. Produção: Bruno Mad.

Assessoria de imprensa – Nobre Assessoria

Aline Nobre – alinenobre@nobreassessoria. com

Lucas Pasin – lucas@nobreassessoria.com

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