Desglobalização é a solução?

Michelle Fernandes - M2Trade
Michelle Fernandes - M2Trade

*Michelle Fernandes

Em 1990, a globalização deu início a uma nova era e foi uma grande aliada do Brasil e do comércio mundial.  As distâncias foram encurtadas e assim tivemos maior acessibilidade a outros mercados e, principalmente, o acesso às informações. Com este processo de aproximação e o acesso às informações em tempo real, ganhamos, consequentemente, agilidade e maior controle nos processos de importação e exportação. Podemos afirmar que a globalização foi um grande divisor de águas para o Comércio Exterior e Internacional. 

Fareed Zakaria, cientista político indiano, já indicava os prós e os contras dessa troca entre os mercados. A ascensão da Ásia e a mudança de posição de alguns países no comércio mundial já eram frutos de suas pesquisas. O cientista estava certo em sua análise e apontamento sobre o estudo dos BRICS, grupo político de cooperação que engloba os países Brasil, Rússia, Índia e China, e de todos os outros blocos e acordos que foram criados com o objetivo de suprir a grande demanda global. Infelizmente, a criação de políticas voltadas para o mercado interno e esses acordos internacionais não foram suficientes para conter o avanço da globalização.

A globalização fez muito mais do que podemos contabilizar. Hoje, temos uma falsa sensação de vivenciar os mais diversos eventos com maior frequência, o que não é verdadeiro. A troca de conhecimento e a rapidez entre o envio e o recebimento das informações no mundo nos dá essa percepção. As guerras e as catástrofes climáticas, por exemplo, sempre aconteceram. Mas hoje temos a impressão de que estão acontecendo com mais frequência e na verdade não estão, nós apenas temos acesso a informação com mais rapidez. Essa agilidade é fruto da globalização.

Outro resultado deste movimento são as Fake News, notícias manipuladas e entregues em tempo real com os mais diversos objetivos, inclusive político. 

A constatação desses fatos nos faz refletir sobre os limites deste movimento. Onde chegaremos com este bombardeio de informações? Deixamos de ser partes de um local, somos agora parte do global, não existem barreiras ou fronteiras que contenham nossas comunicações com o mundo.

No comércio mundial está claro que o fechamento de alguns mercados, o protecionismo, está sendo usado como ferramenta para conter e barrar a intensa troca de mercadorias. Os mercados se abriram muito e agora precisam usar o protecionismo como ferramenta para a já chamada Desglobalização. Esse fenômeno já está sendo visto com clareza nos Estados Unidos e em nosso país, onde precisamos proteger a economia, a produção interna, mas não podemos deixar de comercializar nossas mercadorias no mercado externo. 

O protecionismo oferece mais malefícios do que benefícios. Não temos como voltar no tempo e sermos retrógrados. O mundo não previu que a globalização daria tão certo, não calculou suas consequências, por isso hoje estamos pagando o preço, literalmente, por essa imensa troca. 

A globalização virou uma realidade e temos que extrair o melhor desse fenômeno e criar mecanismos para proteção da produção interna sem fechar as portas para o mundo. 


*Michelle Fernandes é especialista em Comércio Exterior e diretora da M2Trade Importação & Exportação www.m2trade.com.br

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