Arquitetura Comercial – Como Criar Uma Loja de Sucesso

KUBE - OuterShoes (foto: João Magnus)
KUBE - OuterShoes (foto: João Magnus)

O sucesso de um ponto de venda está diretamente relacionado com a arquitetura do ambiente.  Hoje,  para atrair clientes de volta às lojas, é necessário que a compra se torne uma experiência que vai muito além do ato mecânico de procurar, pagar e levar a mercadoria. Para isso, uma gama de benefícios e vantagens são oferecidas e muitas delas através da arquitetura sensorial: texturas, aromas, cores, conforto, identificação, prazer.

Na próxima quarta-feira, 13/06, a arquiteta Juliana Neves, titular da Kube Arquitetura, escritório especializado em arquitetura comercial sensorial, e Luiz Antônio Secco, conhecido por seu trabalho de anos à frente da Mesbla e hoje sócio-diretor da Azov,  irão ministrar uma palestra em Ipanema com o tema “ Como Montar Uma Loja de Sucesso”, falando sobre suas experiências no mercado do varejo e o que acreditam ser o futuro deste mercado.

Aqui, Juliana fala sobre um dos pontos mais importantes para a criação de uma loja de sucesso: a contratação do profissional adequado.

– Porque contratar um arquiteto comercial para fazer um projeto de varejo? Porque não um arquiteto residencial, se for um projeto simples?

  • O arquiteto comercial está preocupado muito mais em transparecer os conceitos da marca através do espaço físico e com retorno sobre o investimento feito, enquanto o arquiteto residencial se preocupa mais em projetar um ambiente bonito e aconchegante sem focar num ambiente mais vendedor. Os fornecedores, prazos, e preços são muito diferentes. Os prazos dos próprios fornecedores são diferentes. Um marceneiro residencial leva 60 dias para fazer uma marcenaria enquanto o marceneiro comercial leva duas semanas. Além disso os shoppings têm trâmites burocráticos que um arquiteto residencial não resolveria com tanta rapidez. Além disso, o comercial tem a manha da franquia, caso aconteça a expansão da rede. O arquiteto que vira sua carreira para comercial tem reportórios e soluções para questões comerciais de venda do produto na loja que o residencial desconhece. Precisamos, por exemplo, fazer uma loja que priorize a venda do produto. Nós, comerciais, fazemos a loja para 5 anos, é natural que o cliente mude de ideia, teste produtos, volte com ideias antigas. É necessário ter a manha de repertório que flexibiliza o mix de produtos do cliente ao longo do tempo.

– Qual o grande diferencial entre o projeto de um arquiteto comercial? Qual a diferença para o consumidor das marcas, entrar numa loja assinada por um arquiteto comercial?

  • Arquiteto residencial que sabe um pouco de comercial tenta achar soluções, mas o comercial dificilmente adota soluções prontas; faz questão de desenhar cada peça expositora, luminárias, com a cara da marca. Painel Canaletado é um exemplo, muitas marcas utilizam como solução, mas todas ficam com a mesma cara.

Outra coisa é iluminação, arquiteto comercial tem iluminação com foco na iluminação do produto.  A iluminação residencial prima por aconchego, conforto, cenários. Comercial não pode ser geral. Se a iluminação é feita de forma homogênea no espaço, ela não dá foco ao produto. Para iluminar o produto é necessário sombra.

  • As marcas vendem estilo de vida, uma série de coisas intangíveis, seja o produto, bem-estar, status, emoção, poder, sensualidade, vende uma série de atributos junto com o produto, de acordo com a ocasião de uso do mesmo. Junto com isso cada marca trabalha estes conceitos de acordo com o que ela pretende vender.  

– Por quais pontos de um projeto o arquiteto comercial é responsável e não fazemos ideia?

  • O arquiteto comercial trata o ponto de venda da forma correta! O ponto de venda é a casa da marca. Lá é onde acontece o contato mais íntimo da pessoa com a marca. Se a casa dessa marca não transparece o que esta marca pé, nada mais fará! Outra coisa importante: um arquiteto comercial se preocupa também com o fluxo de passantes na porta da loja porque muitas vezes o público, a depender do horário, do dia da semana, muda muito. Um exemplo bom para dar seria uma livraria, com público alvo variado onde todo mundo é cliente. O arquiteto comercial tem que estar atento ao público em geral. Ele precisa desenhar o mobiliário de vitrine que ajude o lojista a vender praquele público naquela hora. Os expositores precisam ser flexíveis para mudar o que está sendo exposto de acordo com quem passa, com o público daquele shopping, daquele bairro, daquele horário. Outra coisa é o olhar. Um arquiteto comercial sempre se preocupa com o que o cliente vê assim que chega na loja: balcão, sofá, provador, produtos, mindset que gera venda, que impacta diretamente na venda daquela marca!

Ou seja, não basta que um arquiteto tenha bom gosto, ele precisa ter uma série de conhecimento de mercado, atenção ao preço de materiais e coisas que estão sendo escolhidas para levantar o projeto. No comercial você precisa pensar no retorno do investimento e dar soluções criativas com materiais mais baratos e fáceis de serem encontrados em qualquer região do país.

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